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Além de Palavras, Sentimentos

Buraco Negro


As vezes eu acho que daria tudo, ou pelo menos quase tudo na vida pra me sentir normal. Eu olho o twitter e vejo um monte de garotas, mais novas, mais velhas, da minha idade, preocupadas com o mundo e com as coisas que estão erradas nele e eu só queria me importar mais com isso. 

Que tal pesquisar sobre o compositor que escreveu Garota de Ipanema para uma garota de 17 anos ajudando assim a torna-la a mulher mais sexy do Brasil? Ou quem sabe tentar descobrir por que as pessoas veem tanto problema nas pessoas de pele mais clara usar tranças? Ou ainda por que não ouvi um podcast indicado por um amigo com o qual você se importa tanto para entender melhor sobre todos os lados e teorias que existem sobre orientação sexual?

Eu simplesmente não quero nenhuma das opções acima. Eu não quero entender o problema dos outros, e na verdade, eu não sei nem se quero entender os meus. E quando eu paro pra pensar em tudo isso eu me acho extremamente egoísta por me deixar ir afundando cada dia mais na minha dor como se ela fosse maior que o mundo inteiro com tanta gente passando por coisas piores.

Eu queria ajudar a tornar um mundo um lugar melhor pras pessoas que me rodeiam, pras pessoas que eu amo e pras que eu nem conheço também. Eu queria poder transformar as coisas para que meus filhos possam viver em um lugar minimamente melhor do que o que eu vivo. Eu queria não ser tão egoísta e não me afundar tanto nessa escuridão, mas eu simplesmente não consigo.

Eu sinto que a qualquer minuto eu posso ser engolida por algo que é muito maior e mais poderoso que eu. É como se dentro de mim existisse um buraco negro imenso que suga tudo que chega perto. As vezes surge uma centelha de esperança, uma faísca, um raio de sol, mas poucos minutos depois como se existisse um campo magnético dentro do buraco, ele vai sugando tudo, qualquer coisa boa que possa estar ao redor. Ele se alimenta dos meus bons momentos não permitindo nem que eu consiga lembra-los por vezes. 

E é por isso que todas as vezes que estou com meus amigos, que tem um momento legal com minha família, ou  qualquer coisa que faça acender essa pequena centelha de alegria que existe dentro de mim eu tento aproveitar como se fosse o único, afinal, a qualquer momento pode ser mesmo, pois, da mesma forma que esse buraco negro tem sugado tudo de melhor que possa existir em mim, a qualquer momento ele vai acabar me sugando por inteira.

Vai valer a pena?



Eu sempre quis ser paz, por isso eu sempre quis que a paz que vem do alto pudesse transbordar em mim, para que eu pudesse ser o ponto de paz das pessoas.
Eu sempre quis ser a pessoa que reflete a Tua luz para leva-la para escuridão de tantos que já não conseguem mais andar por não enxergar o caminho.
Eu sempre quis me oferecer para ajuda o meu irmão, sempre quis ir buscar o perdido no deserto, no mar ou em qualquer outro lugar.

Mas o que fazer quando esse alguém sou eu? O que fazer quando fui eu quem me perdi no deserto da minha alma, no mar dos meus medos e na terra das minhas inseguranças. O que fazer se a luz que eu queria levar para as pessoas já não brilha aqui e tudo que eu vejo é escuridão? Como que eu posso ir ajudar alguém a levantar, se aparentemente eu cai e acabei me acomodando pelo chão?

Eu sempre quis ir pra guerra estando preparada para lutar, mas de repente eu me vi jogada no meio da batalha sem armas, sem nenhuma defesa. Totalmente entregue. Totalmente vulnerável. Aparentemente eu me enganei, eu nunca soube me defender, eu nunca soube criar barreiras que o inimigo não pudesse transpor, por que é impossível não deixar que o inimigo me alcance, quando eu sou minha própria inimiga.

A guerra nunca foi contra o outro, apesar de tantos outros terem me ferido. A guerra nunca foi contra as circunstâncias criadas pelas outras pessoas. A guerra nunca foi contra o que me disseram que eu era. Tudo isso pode realmente ter doido, mas no fim das contas foram apenas arranhões se comparado a as feridas que eu me causei, as dores que eu me permiti e os momentos que eu mesma criei a fim de me afundar cada vez mais nesse poço que é a minha vida. No fim das contas, ninguém conhece tão bem o fundo do poço que sou eu quanto eu mesma, afinal, eu criei o fundo do poço, cai lá e por lá mesmo eu fiquei.

Em pequenos momentos eu ainda consegui vislumbrar a luz da saída, a luz do topo, mas nunca foi motivo suficiente para eu tentar escalar, eu apenas olhava aquilo e mais uma vez me contentava apenas com um feixe quando poderia ter a luz toda. E é isso, talvez eu nunca saia daqui por que eu já estou tão ferida que não sei se poderia me deixar ferir ainda mais pela escalada até o topo. Talvez o fundo, afinal, seja mais confortável. Escalar dói, me mover, dói. E eu já não aguento mais dores e nem tenho mais força para a escalada.

Mas uma coisa é certa, o que me mantém viva, mesmo no fundo do poço é a esperança de que finalmente um dia tudo isso acabe. Não tenho forças para escalar, mas eu acredito que um dia Ele vai me tirar daqui e me dizer que valeu a pena. E quando o fim se aproximar tudo que eu quero é poder abraça-lo.

Não viva uma mentira

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"Viver uma mentira, é um saco
Viver sem ser quem é, é um saco
Viver com a garganta engasgada, é um saco
Viver..."

Essa foi a mensagem que me chamou atenção em mais uma das noites tediosas dessa quarentena em que eu estava passando os stories do Instagram sem prestar muita atenção no que via, até isso aparecer no storie de um amigo como print tirado do twitter do mesmo. Eu li e reli algumas vezes tentando assimilar o que eu estava lendo, entender como isso poderia ter surgido ou até mesmo saber o quão verdadeira essas palavras são. Não pra ele, ele pode realmente se sentir assim, mas fazendo uma análise mais profunda, o quão verdadeiro isso é para todos nós.

Antes de continuar as minhas considerações, eu preciso acrescentar aqui um trecho do livro A Cabana de William P. Young em que Deus fala assim para Mack: 

"A maioria dos pássaros foi criada para voar. Para eles, ficar no solo é uma limitação de sua capacidade de voar, e não o contrário. Você, por outro lado, foi criado para ser amado. Assim, para você, viver como se não fosse amado é uma limitação, e não o contrário […] Viver sem ser amado é como cortar as asas de um pássaro e tirar sua capacidade de voar. Não é algo que eu queira para você. (...) A dor tem a capacidade de cortar nossas asas e nos impedir de voar. E, se essa situação persistir por muito tempo, você quase pode esquecer que foi feito para voar." William P. Young

Como eu assisti novamente ao filme no mês passado, e esse trecho já havia me marcado muito na ocasião, foi a primeira coisa que veio a minha cabeça quando eu li aquele story. Nós nascemos para sermos amados, para ter um relacionamento com aquele que nos criou e confiarmos totalmente as nossas vidas a Ele. Quando deixamos de viver a vida da forma que fomos criados para viver, ela perde o sentido, se torna um fardo e muitas das vezes não sabemos mais que rumo tomar.

Eu mesma vivi por muito tempo com algo engasgado na garganta, com o coração apertado, sabendo que faltava algo, mas sem saber dizer o que era. Passei muito tempo me enganando e fingindo que tudo estava bem, mas o passar dos meses foi me mostrando que não adiantava mentir para os outros, não adiantava mentir para mim mesma, eu havia esquecido de me deixar ser amada, eu havia esquecido que eu nasci para esse propósito e que sem isso nada jamais poderia fazer sentido.

Mas o processo da volta nunca é fácil, por muitas vezes eu me questionei se era o caminho certo a seguir, se tudo isso valia a pena, se esse relacionamento com um Deus que parecia ter me abandonado em tantos momentos era mesmo a resposta para tudo que eu estava sentindo. E foi através do livro/filme A Cabana que Deus mais uma vez veio em meu auxílio e respondeu meu questionamento com esse trecho: "Quando tudo que você vê é a sua dor, talvez você perca a visão de mim, não é?" Isso me despertou de um modo que não existem palavras suficientes para que eu possa explicar. Eu havia escolhido enxergar minha dor na frente de qualquer outra coisa, inclusive do próprio Deus. Eu deixei que as minhas lutas tomassem proporções muitas vezes maiores do que ela tinham e as permitir vendar meus olhos fazendo com que eu não enxergasse o Deus que sempre esteve ao meu lado.

Hoje eu olho para minha vida e só consigo enxergar o cuidado de Deus, só consigo vê o quanto desde o ventre da minha mãe ele tem cuidado de mim. Fruto de uma gravidez não planejada pelos meus pais, mas com cada um dos meus dias planejados da forma mais perfeita por Deus; muitas vezes rejeitada por aqueles de quem mais esperei amor, mas acolhida por um Deus que deu seu filho unigênito para morrer pelos meus pecado afim de restabelecer comigo a aliança que eu mesma quebrei; muitas vezes achando que não conseguiria nada, que era fraca demais para qualquer coisa, mas com Ele me dizendo: "eu vos escolhi por que sois forte"; dominada pela crise do impostor, mas com um Deus que me capacita e que me mostrou que não é sobre o que eu posso é sobre o que Ele pode através de mim, não é sobre quem eu sou sozinha, é sobre quem eu sou quando deposito a minha vida nEle.

E foi reconhecendo todas essas verdades sobre Ele que eu pude reconhecer todas as verdades sobre mim e sobre a minha vida. Viver não é um saco, não precisa ser um fardo. Se deixe ser amado, conheça aquele que é o próprio amor e lembre-se que você foi feito para voar. Seja livre!

Você não entenderia!

Muro de pedra. | Forme del cuore, Cuore, Immagini

"Você não entenderia!" É exatamente a frase que vem na minha cabeça quando alguém me pergunta se eu tô bem. Em 99,9% dos casos eu acabo respondendo que tá tudo bem, sim, e ao contrário do que muita gente me diz, isso não faz com que eu me sinta melhor, não faz com que eu sinta que tô cumprindo meu papel de cristã simplesmente por que alguém na Bíblia estava com o filho morto e quando perguntaram pra ela, ela respondeu: vai tudo bem. 

O julgamento de quem deveria me acolher me faz ter medo de compartilhar minha vida, minha rotina e minhas inseguranças com qualquer pessoa. Afinal, se quem deveria me dar colo me diz que é drama, como quem não tem a mínima obrigação de entender poderia não achar a mesma coisa? Se quem deveria me acolher diz que eu sou ingrata e que tem gente numa situação muito pior que a minha e não está reclamando, o que vai me dizer quem vive nessa geração #gratidão?

Sempre fui uma pessoa extremamente relacionável, sempre adorei estar cercada de gente, sair com meus amigos, sempre gostei de construir uma ligação com as pessoas, de construir algo duradouro, sempre gostei de construir pontes. Mas parece que em algum ponto da minha vida eu fui obrigada a parar de construir essas pontes e comecei a construir muros. Pontes nos deixam vulneráveis, elas te ligam a outras pessoas e te fazem mostrar quem você é de verdade. Mas e se as pessoas não gostarem de quem eu sou de verdade? E se elas quiserem apenas a versão alegre, que faz todo mundo rir e adora se divertir? Se elas quiserem apenas a publicitária legal, que consegue vouchers e leva todo mundo pro boliche?

Cada vez que uma pergunta assim surge na minha cabeça é como se fosse uma pedrinha que eu tiro da ponte e coloco no muro. Já questionei esse tipo de coisa tantas vezes que quando eu me dei conta já estava cercada, presa pelo muro que eu mesma construí, sem conseguir pedir socorro a ninguém, sem conseguir gritar o que estava se passando aqui. Precisei engolir tantas coisas que eu precisava falar; precisei guardar só pra mim coisas que eu queria gritar pro mundo todo ouvir; precisei aprender a lidar com o que se passa aqui sozinha. Mas eu ainda não aprendi!

E nessa de fingir que tá tudo bem enquanto sigo trancafiada nesse muro que eu contruí dentro de mim, eu vou me perdendo, me confundindo e me tornando alguém que nem eu mesma conheço. Vou aos poucos entendendo que no fim das contas sempre vai ser eu por eu mesma.

E já fazem 142 sábados...

                        
Recomendo que escute a música de Janeiro à Janeiro enquanto lê! Vídeo no fim do texto!

Hoje, 10 de dezembro de 2016, o 142º sábado que passo sem você. Já são mais sábados do que passamos juntos. Talvez se um dia você ler isso ache estranho eu saber a quantidade. Mas não, eu não venho contando cada um desde que você se foi. Existiram sábados maravilhosos no meio desses 142, mas hoje... hoje foi mais um sábado triste e eu me peguei pensando em você e em o quanto eu ficaria feliz em te ver hoje. Me peguei lembrando de como aqueles 79 sábados foram lindos.

Não, eu não acho que tudo foi perfeito, eu sei bem o quanto chorei, e as páginas desse blog podem provar isso. Mas a ausência de mais páginas nesse blog mostram o que sua ausência fez comigo. Quando você se foi de vez, toda minha inspiração foi junto. Então, sem você aqui eu tive mais lágrimas do que em todo restante da minha vida. Não, nem todas foram por você, mas eu queria que tivesse sido as suas mãos a seca-las. Sem você aqui, eu perdi um pedaço de mim, meu sorriso que era tão feliz contigo, mudou... mudou completamente. Quem olha minhas fotos pode vê que eu continuo sorrindo, mas não como antes. Sim, durante mais ou menos 80 sábados outro alguém me fez sorrir, mas não como você. Não o mesmo sorriso. Até foi especial, uma história linda, mas não a nossa, e talvez por isso, ela também acabou. Sem você aqui, eu me perdi dentro de mim. Eu virei outra pessoa, eu me tornei alguém que nem eu mesma conheço.

E se você estivesse aqui? Será que esse 221º teria sido assim tão triste?  Será que eu ia tá aqui, sozinha, chorando, ouvindo todas as músicas que me fazem lembrar você? Eu não posso afirmar com certeza, afinal também existiram lágrimas com você aqui, mas eu acho que não! Pelo menos, não dessa maneira, não com o nó que tem agora na minha garganta. Esse enjoo que não me larga cada vez que leio seu nome, que ouço 'De janeiro à Janeiro' ou qualquer outra música na voz de Nando Reis ou de Fernando Anitelli. E esse foi outro pedaço de mim que você levou consigo. Parei de ouvir certas músicas, as que eu mais amava, inclusive. Parei de assistir certos filmes, até por que com o nome que você tem, parece que batizaram metade dos personagens de filmes que tentei assistir depois do fim. E pasme, eu parei de ler. Sim, existem livros de Nichollas intocados guardados aqui. Assim cmo vários outros que se tornaram impossíveis de ler sem pensar em quantos eu ganhei de você e o quanto eu queria que aquelas histórias fossem nossas.

Talvez, a essa altura você ache que eu estou exagerando, mas essa sempre fui eu né!? A que gritava, pirava e fazia tempestade em copo d'água. A hipérbole humana. Mas eu não era exagerada só por fora, só na aparência, só nas loucuras.. eu sempre fui essa hipérbole principalmente no que eu sentia por você. Na verdade, talvez essa tenha sido a minha maior loucura. O meu maior exagero. O que me trouxe até onde estou hoje. Seja isso bom ou ruim!

Eu não sei se hoje eu posso dizer que te amo, mas eu sei que ficou um vazio no lugar onde você antes morava. Por mais que seja uma loucura, eu acho que eu precisaria que tudo acontecesse novamente pra descartar a hipótese de ainda darmos certo. Eu não admito pras pessoas, eu não admito nem pra mim mesma, talvez essa seja a única vez que eu faça isso, mas eu acho que se você resolvesse que é isso que você quer, eu corresse pra você ainda hoje. Mesmo sabendo de todas as impossibilidades, de todas as nossas diferenças, mesmo sabendo que não, o universo não conspira ao nosso favor, nem nunca conspirou. Eu conspiro, eu sempre conspirei, até me fiz acreditar durante muito tempo que o universo conspirava, mesmo todo mundo ao meu redor dizendo o contrário. Eu lutaria, e me faria acreditar, nos faria acreditar nisso novamente. Quem sabe dessa vez não desse certo? Quem sabe eu não fosse mais forte e mais bem sucedida nessa tentativa? Só precisava de uma chance,

Assim como a Pitty falou, eu até procurei em outros timbres e em outros risos, mas não deu né.. Me desculpa por isso! Mas a vida é assim mesmo! Espero que essa abstinência uma hora passe! Por que não dá mais pra viver correndo e fugindo, pra não me entregar às loucuras que me levam até você e me fazem esquecer que eu não posso chorar!*

*Trecho de De Janeiro à Janeiro - Roberta Campos feat. Nando Reis